O tratamento de água no Brasil vive um momento de transição. Em meio a cobranças por mais transparência, alinhamento regulatório e metas ambientais mais rígidas, os coagulantes e floculantes sustentáveis deixam de ser tendência e passam a ocupar um espaço estratégico no setor de saneamento.
A substituição de produtos tradicionais, como o sulfato de alumínio, por alternativas de menor impacto ambiental, já aparece em editais, estudos técnicos e políticas internas de concessionárias, impulsionando um mercado que cresce com forte potencial transformador. Esse movimento acompanha uma agenda global de química verde, que prioriza processos mais limpos, menor geração de resíduos e o uso consciente dos recursos hídricos.
No Brasil, onde quase metade dos municípios ainda enfrenta desafios de qualidade de água e eficiência de tratamento, a adoção de produtos sustentáveis surge como resposta técnica, econômica e ambiental.
Historicamente, o setor de saneamento brasileiro dependeu de coagulantes de base mineral, especialmente o sulfato de alumínio, o PAC (policloreto de alumínio) e alguns sais de ferro. Embora eficientes, esses produtos apresentam limitações que se tornaram mais evidentes diante das novas exigências socioambientais. Entre os principais desafios, destacam-se:
Tais fatores alimentam um debate técnico sobre a necessidade de migrar para soluções mais limpas, sobretudo em sistemas de tratamento que buscam operar com maior eficiência e maior pegada ambiental.
Os coagulantes e floculantes sustentáveis vêm ganhando protagonismo principalmente por combinar desempenho operacional com benefícios ambientais diretos. No Brasil, destacam-se três grandes grupos:
Segundo empresas do setor, esses insumos são capazes de reduzir até 70% do volume de lodo gerado, diminuir o consumo de cal, melhorar a clarificação da água em pH mais alto e apresentar menor toxicidade e melhor biodegradabilidade. A adoção de coagulantes sustentáveis não é movida apenas por preocupação ecológica.
Ela atende a uma combinação de fatores cada vez mais decisivos na operação das estações de tratamento como a redução de custos operacionais e menos iodo, que significa menos caminhões, menor necessidade de espaço para secagem e menor gasto com destinação final.
Com o avanço da Lei do Saneamento (14.026/2020), indicadores de eficiência e sustentabilidade passaram a influenciar investimentos, metas de universalização e fiscalização da ANA e dos órgãos estaduais. Coagulantes mais limpos tornam o processo menos suscetível a penalidades e reforçam a responsabilidade ambiental, algo cada vez mais valorizado em auditorias.
Iniciativas de química verde costumam gerar forte apelo positivo em campanhas de educação ambiental e prestação de contas à sociedade, especialmente em regiões que enfrentam crises hídricas recorrentes.
A transição para coagulantes e floculantes sustentáveis não é apenas uma inovação tecnológica, é uma necessidade alinhada ao cenário ambiental brasileiro. Com rios mais pressionados, eventos climáticos extremos e metas regulatórias mais rígidas, adotar soluções de menor impacto deixou de ser escolha e se tornou estratégia de sobrevivência do setor.
O Brasil avança, ainda que de forma gradual, para um modelo de tratamento de água que une eficiência, responsabilidade ambiental e química verde. A substituição de insumos tradicionais, como o sulfato de alumínio, é um marco desse novo capítulo: um em que o cuidado com a água se torna tão importante quanto a água em si.
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