Química verde avança no Brasil: coagulantes e floculantes sustentáveis ganham espaço no tratamento de água

Soluções inovadoras impulsionam técnicas mais limpas nas estações, ampliam a eficiência operacional, reduzem resíduos e fortalecem práticas ambientais em sistemas que priorizam desempenho mais ecológico

Por: Conatus Ambiental

Postado em 15/01/2026

Química verde avança no Brasil: coagulantes e floculantes sustentáveis ganham espaço no tratamento de água

O tratamento de água no Brasil vive um momento de transição. Em meio a cobranças por mais transparência, alinhamento regulatório e metas ambientais mais rígidas, os coagulantes e floculantes sustentáveis deixam de ser tendência e passam a ocupar um espaço estratégico no setor de saneamento.

 

A substituição de produtos tradicionais, como o sulfato de alumínio, por alternativas de menor impacto ambiental, já aparece em editais, estudos técnicos e políticas internas de concessionárias, impulsionando um mercado que cresce com forte potencial transformador. Esse movimento acompanha uma agenda global de química verde, que prioriza processos mais limpos, menor geração de resíduos e o uso consciente dos recursos hídricos.

 

No Brasil, onde quase metade dos municípios ainda enfrenta desafios de qualidade de água e eficiência de tratamento, a adoção de produtos sustentáveis surge como resposta técnica, econômica e ambiental.

O problema dos coagulantes tradicionais

Historicamente, o setor de saneamento brasileiro dependeu de coagulantes de base mineral, especialmente o sulfato de alumínio, o PAC (policloreto de alumínio) e alguns sais de ferro. Embora eficientes, esses produtos apresentam limitações que se tornaram mais evidentes diante das novas exigências socioambientais. Entre os principais desafios, destacam-se:

  • Geração de lodo em grandes volumes, aumentando custos de transporte, descarte e operação.
  • Aumento da acidez da água, exigindo maior consumo de cal para correção de pH.
  • Riscos de resíduos de alumínio na água tratada, tema que figura em debates normativos e estudos toxicológicos.
  • Dependência de matérias-primas de origem mineral, cuja extração possui impactos ambientais significativos.

Tais fatores alimentam um debate técnico sobre a necessidade de migrar para soluções mais limpas, sobretudo em sistemas de tratamento que buscam operar com maior eficiência e maior pegada ambiental.

Coagulantes sustentáveis: de alternativa a protagonista

Os coagulantes e floculantes sustentáveis vêm ganhando protagonismo principalmente por combinar desempenho operacional com benefícios ambientais diretos. No Brasil, destacam-se três grandes grupos:

  1. Coagulantes naturais de origem vegetal: produzidos a partir de sementes, cascas ou extratos, como moringa oleifera, taninos vegetais e biopolímeros derivados de celulose.
  2. Biopolímeros de origem microbiana: incluem polímeros aniônicos e catiônicos biodegradáveis produzidos por microrganismos, usados em menor dosagem e com menor toxicidade.
  3. Soluções híbridas de química verde: produtos que combinam minerais em baixas concentrações com polímeros sustentáveis, reduzindo ao máximo a necessidade de sais metálicos.

Segundo empresas do setor, esses insumos são capazes de reduzir até 70% do volume de lodo gerado, diminuir o consumo de cal, melhorar a clarificação da água em pH mais alto e apresentar menor toxicidade e melhor biodegradabilidade. A adoção de coagulantes sustentáveis não é movida apenas por preocupação ecológica.

 

Ela atende a uma combinação de fatores cada vez mais decisivos na operação das estações de tratamento como a redução de custos operacionais e menos iodo, que significa menos caminhões, menor necessidade de espaço para secagem e menor gasto com destinação final.

Adequação a normas e pressões regulatórias

Com o avanço da Lei do Saneamento (14.026/2020), indicadores de eficiência e sustentabilidade passaram a influenciar investimentos, metas de universalização e fiscalização da ANA e dos órgãos estaduais. Coagulantes mais limpos tornam o processo menos suscetível a penalidades e reforçam a responsabilidade ambiental, algo cada vez mais valorizado em auditorias.

 

Iniciativas de química verde costumam gerar forte apelo positivo em campanhas de educação ambiental e prestação de contas à sociedade, especialmente em regiões que enfrentam crises hídricas recorrentes.

Um futuro mais limpo para a água que bebemos

A transição para coagulantes e floculantes sustentáveis não é apenas uma inovação tecnológica, é uma necessidade alinhada ao cenário ambiental brasileiro. Com rios mais pressionados, eventos climáticos extremos e metas regulatórias mais rígidas, adotar soluções de menor impacto deixou de ser escolha e se tornou estratégia de sobrevivência do setor.

 

O Brasil avança, ainda que de forma gradual, para um modelo de tratamento de água que une eficiência, responsabilidade ambiental e química verde. A substituição de insumos tradicionais, como o sulfato de alumínio, é um marco desse novo capítulo: um em que o cuidado com a água se torna tão importante quanto a água em si.

Conteúdos relacionados

Mais lidos

CÉREBRO ELETRÔNICO SUSTENTÁVEL: COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL IMPULSIONA A QUÍMICA VERDE
CÉREBRO ELETRÔNICO SUSTENTÁVEL: COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL IMPULSIONA A QUÍMICA VERDE

Descubra como a Inteligência Artificial está impulsionando a Química Verde, promovendo a sustentabilidade e o desenvolvimento de materiais mais eficientes. A IA está revolucionando a descoberta de novos compostos, otimizando processos químicos, analisando o ciclo de vida dos produtos e modelando pro

A NOVA FASE DA CONATUS AMBIENTAL
A NOVA FASE DA CONATUS AMBIENTAL

A CONATUS AMBIENTAL entrou em uma nova fase em 2022. A empresa está cada vez mais investindo em pesquisa, desenvolvimento e inovação e anuncia novos projetos!

Adulteração de químicos: Muito além da gasolina!
Adulteração de químicos: Muito além da gasolina!

Já pensou que você pode estar comprando produto adulterado? Você deve ter muita atenção aos parâmetros de qualidade ao comprar seus produtos. Confira as dicas para não ser enganado!

Água para o semiárido: Equipe da CONATUS AMBIENTAL tem aprovação pela FINEP em projeto para aumentar a eficiência hídrica na região.
Água para o semiárido: Equipe da CONATUS AMBIENTAL tem aprovação pela FINEP em projeto para aumentar a eficiência hídrica na região.

A equipe da CONATUS AMBIENTAL irá trabalhar em um projeto para ajudar a levar água com mais qualidade à população do semiárido brasileiro.

CONATUS AMBIENTAL RECEBERÁ RECURSOS DA FAPESP PARA VALIDAR TECNOLOGIA DE AUTOMAÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA.
CONATUS AMBIENTAL RECEBERÁ RECURSOS DA FAPESP PARA VALIDAR TECNOLOGIA DE AUTOMAÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA.

Conatus Ambiental receberá recursos da FAPESP para valida tecnologia de automação de estações de tratamento de água

CONATUS AMBIENTAL RECEBE O PRÊMIO KURT POLITZER DE INOVAÇÃO DA ABIQUIM NO ENAIQ 2023
CONATUS AMBIENTAL RECEBE O PRÊMIO KURT POLITZER DE INOVAÇÃO DA ABIQUIM NO ENAIQ 2023

A Conatus Ambiental foi reconhecida com o prestigiado Prêmio Kurt Politzer de Inovação durante o Encontro Nacional da Indústria Química (ENAIQ 2023), realizado no TEATRO.SP no WTC, em São Paulo.

CONATUS É SELECIONADA PARA REPRESENTAR O BRASIL NO CHILE
CONATUS É SELECIONADA PARA REPRESENTAR O BRASIL NO CHILE

A CONATUS AMBIENTAL foi selecionada para representar o Brasil em uma imersão de negócios no Chile! Confira!

Conatus Ambiental conquista o Prêmio BID-FEMSA 2024 com inovação em tratamento de água
Conatus Ambiental conquista o Prêmio BID-FEMSA 2024 com inovação em tratamento de água

A Conatus Ambiental venceu o Prêmio BID-FEMSA 2024 na Categoria Água com o projeto Água 4.0, que automatiza o uso de químicos em estações de tratamento, reduzindo impactos ambientais e custos. A conquista destaca a inovação brasileira e a Baixa Mogiana como polo de sustentabilidade global.

PROJETO DA CONATUS AMBIENTAL QUE UTILIZA RESÍDUOS INDUSTRIAIS PARA PRODUZIR FERTILIZANTES INTELIGENTES É APROVADO NA FINEP
PROJETO DA CONATUS AMBIENTAL QUE UTILIZA RESÍDUOS INDUSTRIAIS PARA PRODUZIR FERTILIZANTES INTELIGENTES É APROVADO NA FINEP

Nossa pesquisa continua chamando atenção de órgão de fomento. A CONATUS aprovou um projeto que visa utilizar resíduos industriais para formulação de fertilizantes mais eficientes.

MATERIAIS AVANÇADOS E ECONOMIA CIRCULAR: ESTRATÉGIA PARA SUSTENTABILIDADE
MATERIAIS AVANÇADOS E ECONOMIA CIRCULAR: ESTRATÉGIA PARA SUSTENTABILIDADE

A CONATUS AMBIENTAL emprega os conceitos de economia circular para desenvolver materiais avançados que aumentam o desempenho de produtos ou serviços. Nosso foco é ter produtos altamente sustentáveis que resolvam gargalos da indústria.

ENCERRAMENTO DO PIPE EMPREENDEDOR
ENCERRAMENTO DO PIPE EMPREENDEDOR

Esta semana nossas pesquisadoras encerraram a aceleração do PIPE Empreededor, organizada pela FAPESP!

Poliacrilamida: para que serve e como funciona este polímero floculante
Poliacrilamida: para que serve e como funciona este polímero floculante

No contexto industrial e ambiental, a poliacrilamida serve para envolver sua aplicação como agente floculante capaz de melhorar a separação de sólidos, otimizar processos de tratamento de água, aumentar a eficiência operacional e contribuir para ganhos de desempenho em diferentes setores produtivos.

Palavras chaves

Faça seu
Orçamento

Whatsapp Comercial

Fale conosco

Este formulário é destinado ao atendimento por e-mail e possibilita ao participante encaminhar sua dúvida, sugestão ou reclamação. Mantemos o nosso compromisso de responder no menor prazo possível. Preencha o formulário para nos enviar um e-mail.